"Longe é um lugar perto que se chega com paciência."
(Fábio Ibrahim El Khoury)

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Está-se interessado em toda a existência humana?

A pessoa considera apenas sua própria vida, como viver uma vida calma, serena, sem perturbação em algum canto; ou está interessada com toda a existência humana, com toda a humanidade? Se estiver interessada apenas na sua própria vida particular, conquanto problemática ela seja, conquanto limitada seja, conquanto sofrida e dolorosa seja, então a pessoa não percebe que a parte pertence ao todo. A pessoa tem que olhar a vida, não como a vida americana ou a vida asiática, mas a vida como um todo; observação holística; uma observação que não é uma observação particular; que não é a observação de si mesmo, mas a observação que compreende a totalidade, a visão holística da vida. Cada pessoa tem estado interessada com seus próprios problemas particulares – problemas de dinheiro, falta de emprego, buscar a própria realização, eterna busca de prazer; estar com medo, isolado, sozinho, deprimido, sofrendo e criar um salvador do lado de fora que transformará ou provocará a salvação para cada um de nós. Esta tem sido a tradição no mundo ocidental durante dois mil anos; e no mundo asiático a mesma coisa vem sendo mantida com diferentes palavras e símbolos, diferentes conclusões; mas é a mesma busca individual por sua própria salvação, por sua própria felicidade particular, para resolver seus próprios muito complexos problemas. Existem especialistas de vários tipos que a pessoa procura para resolver seus problemas. Eles também não foram bem sucedidos. Tecnologicamente os cientistas ajudaram a reduzir as doenças, desenvolver a comunicação; mas eles também estão aumentando o poder das armas de guerra, o poder de matar um vasto número de pessoas com uma explosão. Os cientistas não vão salvar a humanidade nem os políticos, seja no oriente ou no ocidente ou em qualquer parte do mundo. Os políticos buscam poder, posição, e fazem todo tipo de jogo com o pensamento humano. É exatamente a mesma coisa no chamado mundo religioso; a autoridade da hierarquia; a autoridade do Papa, o arcebispo, o bispo e o pároco local, em nome de alguma imagem que o pensamento criou. Nós, como seres humanos separados, isolados, não fomos capazes de resolver nossos problemas embora altamente educados, espertos, autocentrados, capazes de coisas extraordinárias externamente, ainda somos internamente mais ou menos o que temos sido durante milhares de anos. Nós odiamos, competimos, destruímos uns aos outros; que é o que vem ocorrendo de fato presentemente. Vocês ouviram os especialistas falando sobre alguma guerra recente; eles não estão falando sobre seres humanos sendo mortos, mas sobre destruir campos de aviação, explodir isto ou aquilo. Há esta total confusão no mundo, da qual se tem a certeza de que todos nós estamos cientes; então o que faremos? Como um amigo disse ao orador algum tempo atrás “Você não pode fazer nada; está batendo com a cabeça na parede. As coisas continuarão assim indefinidamente; lutar, destruir um ao outro, competir e ficar preso em várias formas de ilusão. Isto continuará. Não gaste sua vida e tempo”. Ciente da tragédia do mundo, dos eventos terríveis que podem acontecer se algum louco apertar um botão; o computador assumindo as capacidades do homem, pensando muito mais rápido e mais acuradamente, o que vai acontecer com o ser humano? Este é o imenso problema que estamos enfrentando. 
Krishnamurti - The Flame of Attention Chapter 7 1st Public Talk at Ojai 1st May 1982

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