"Longe é um lugar perto que se chega com paciência."
(Fábio Ibrahim El Khoury)

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Eduardo Marinho - Conhecimento

"O conhecimento é apresentado pra gente como um capital pessoal, como um fator de superioridade.
Eu vejo o conhecimento como um fator de responsabilidade. Quem sabe mais tem a obrigação moral com os demais que sabem menos."
 
(Eduardo Marinho)





Palestra em Governador Valadares - abril/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Medo é a não aceitação do que é

O medo encontra várias fugas. A variedade comum é a identificação, não é? Identificação com o país, a sociedade, uma ideia. Você já não reparou como reage quando vê um desfile, um desfile militar ou uma procissão religiosa, ou quando o país corre perigo de ser invadido? Você então se identifica com o país, com um ser, com uma ideologia. Há outras ocasiões em que você se identifica com seu filho, com sua esposa, com uma forma particular de ação, ou inação. Identificação é um processo de abnegação. Enquanto eu estiver cônscio do “eu”, sei que há dor, há luta, há medo constante. Mas se posso me identificar com alguma coisa maior, com alguma coisa que valha, com beleza, com vida, com verdade, com crença, com conhecimento, pelo menos temporariamente, há uma fuga do “eu”, não há? Se falar sobre “meu país” esqueço temporariamente de mim mesmo, não esqueço? Se puder dizer alguma coisa sobre Deus, esqueço de mim mesmo. Se posso me identificar com minha família, com um grupo, com um partido particular, com certa ideologia, então há uma fuga temporária. Agora nós sabemos o que o medo é? Ele não é a não aceitação do que é? Devemos compreender a palavra aceitação. Não estou usando essa palavra para significar o esforço feito para aceitar. Não há dúvida sobre aceitar quando eu percebo o que é. Quando não vejo claramente o que é, então eu trago o processo de aceitação. Portanto, o medo é a não aceitação do que é. 
 
- J. Krishnamurti, The Book of Life

Está-se interessado em toda a existência humana?

A pessoa considera apenas sua própria vida, como viver uma vida calma, serena, sem perturbação em algum canto; ou está interessada com toda a existência humana, com toda a humanidade? Se estiver interessada apenas na sua própria vida particular, conquanto problemática ela seja, conquanto limitada seja, conquanto sofrida e dolorosa seja, então a pessoa não percebe que a parte pertence ao todo. A pessoa tem que olhar a vida, não como a vida americana ou a vida asiática, mas a vida como um todo; observação holística; uma observação que não é uma observação particular; que não é a observação de si mesmo, mas a observação que compreende a totalidade, a visão holística da vida. Cada pessoa tem estado interessada com seus próprios problemas particulares – problemas de dinheiro, falta de emprego, buscar a própria realização, eterna busca de prazer; estar com medo, isolado, sozinho, deprimido, sofrendo e criar um salvador do lado de fora que transformará ou provocará a salvação para cada um de nós. Esta tem sido a tradição no mundo ocidental durante dois mil anos; e no mundo asiático a mesma coisa vem sendo mantida com diferentes palavras e símbolos, diferentes conclusões; mas é a mesma busca individual por sua própria salvação, por sua própria felicidade particular, para resolver seus próprios muito complexos problemas. Existem especialistas de vários tipos que a pessoa procura para resolver seus problemas. Eles também não foram bem sucedidos. Tecnologicamente os cientistas ajudaram a reduzir as doenças, desenvolver a comunicação; mas eles também estão aumentando o poder das armas de guerra, o poder de matar um vasto número de pessoas com uma explosão. Os cientistas não vão salvar a humanidade nem os políticos, seja no oriente ou no ocidente ou em qualquer parte do mundo. Os políticos buscam poder, posição, e fazem todo tipo de jogo com o pensamento humano. É exatamente a mesma coisa no chamado mundo religioso; a autoridade da hierarquia; a autoridade do Papa, o arcebispo, o bispo e o pároco local, em nome de alguma imagem que o pensamento criou. Nós, como seres humanos separados, isolados, não fomos capazes de resolver nossos problemas embora altamente educados, espertos, autocentrados, capazes de coisas extraordinárias externamente, ainda somos internamente mais ou menos o que temos sido durante milhares de anos. Nós odiamos, competimos, destruímos uns aos outros; que é o que vem ocorrendo de fato presentemente. Vocês ouviram os especialistas falando sobre alguma guerra recente; eles não estão falando sobre seres humanos sendo mortos, mas sobre destruir campos de aviação, explodir isto ou aquilo. Há esta total confusão no mundo, da qual se tem a certeza de que todos nós estamos cientes; então o que faremos? Como um amigo disse ao orador algum tempo atrás “Você não pode fazer nada; está batendo com a cabeça na parede. As coisas continuarão assim indefinidamente; lutar, destruir um ao outro, competir e ficar preso em várias formas de ilusão. Isto continuará. Não gaste sua vida e tempo”. Ciente da tragédia do mundo, dos eventos terríveis que podem acontecer se algum louco apertar um botão; o computador assumindo as capacidades do homem, pensando muito mais rápido e mais acuradamente, o que vai acontecer com o ser humano? Este é o imenso problema que estamos enfrentando. 
Krishnamurti - The Flame of Attention Chapter 7 1st Public Talk at Ojai 1st May 1982

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